Tarjcooper's Blog

A Ana Era Chata mas a TARJ Persistente

A jornada que comecou na noite anterior. As sobras do jantar rechearam o lanche da chefia e as patrulhas deveriam fazer a mesma coisa.

Alvorada as 06h30. Diferente dos outros dias, os exercícios matinais ficaram para o alongamento antes da caminhada. Começamos pelo café da manhã que era a segunda chance de enfiar as sobras no meio de um pão para comer no meio da manha, no almoco e no meio da tarde. Garrafinhas cheias de agua e um carro de apoio para repor o precioso líquido quando alcançarmos a base da Pedra do Bau.

Poxa! Esse plano foi repetido a exaustão. Por que então eu estou colocando um pacote de rosquinhas, meu maior squiize e um bone adicional na minha  mochila de tecido?

Lembrei do personagem Osmose Jones quando repetimos mais uma vez as orientacões.

Partimos. Depois de algumas dezenas de metros deixamos a margem do riacho e a estrada se transformou em uma plataforma de lançamento de mísseis. Acho que eram uns 60 graus de inclinacão. Ate parado tinhamos que fazer força nas pernas. Antes do final do primeiro quilometro, quando já administravamos as tentativas de desistencia nos deparamos com uma bifurcacão. Estrada ou picada? Picada! E depois de um pequeno alivio voltávamos aos 60 graus de inclinacão novamente.

– Dia!

– Dia!

Eu não me acostumo com esse habito das pessoas de cidades pequenas cumprimentarem os estranhos, mas respondo e a mulekada também. Pelas próximas hora e meia essa seria a última alma viva que veríamos. Barulhos estranhos e o mato se mexendo foi oque restou. E eles me fizeram lembrar que nos ultimos 4 meses a tropa tinha se deparado com 3 cobras. Duas no Gervasio. Mas acho que elas estavam com mais medo de nós do que nós delas.

Uma hora depois e as garrafas de agua estavam vazias e descobrimos que uma patrulha não havia trazido a comida.

Fazer oque? Nem as cobras os queriam. O jeito foi continuar subindo. Mais uma hora de pedras e poeira e chegamos em um sitio. Cachorros, cavalos, esterco e gente.

Alcançamos o asfalto e fomos primeiro em direcão a Ana, a Chata, e depois para a base da Pedra do Baú, onde estaria o carro de apoio. Garrafas cheias uma e duas vezes. As rosquinhas… desintegradas. O pé de jaboticaba escapou porque acho que faltou disposição para trepar na árvore. Carta prego respondida. A patrulha que trouxe lanche o comeu. Descanso suficiente e voltamos para a hora e meia final necessária para alcancarmos o topo da Ana Chata.

Bom, se dependesse da disposição do Gustavinho nos teríamos escalado um dos paredões da Pedra do Baú sem equipamento de alpinismo. Mas, depois da conversa, no dia anterior, com um guia local, o bom senso gritava: – Ana Chata, Ana Chata, Ana Chata…

E assim foi. Dos Treze Escoteiros e Nenhum Segredo sobraram 7. E depois da foto, tchau para quem fica, e fomos nós morro acima. O sol diminuiu, o vento ficou forte e a mata nos cobriu. Pegamos a dica de uma bica escondida para encher as garrafinhas mais uma vez e encontramos a trilha para o topo. Perto dele nos deparamos com um grupo de

formandos que tinham tamanho de segundo grau mas papo de primeiro. A trilha ficou apertada e a chefia preocupada. Nos intercalamos a cada 2 escoteiros e deixamos essa horda passar. Mas não sem ouvir alguém perguntando se não tinhamos bolachinhas para vender. Essa criatura não sabe a sorte que teve de não estar do lado do precipicio.

Alcançamos as escadas de metal, os precipicios e a caverna no trecho de pedra que  levava ao topo. A adrenalina se espalhou pelo corpo. A voz das orientacões ganhou um tom mais alto e firme e chegamos ao nosso objetivo suados, cansados, arranhados mas inteiros.

Fotos, olhos arregalados, bocas abertas, friozinho na barriga e os ouvidos antenados na conversa dos alpinistas. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas realmente em 5 minutos uma nuvem cubriu o topo da Pedra do Bau a nossa frente e anunciou frio e baixa visibilidade para o caminho de volta.

– Vamos embora?

– Vamos embora!

A descida, a principio, deu mais trabalho, porque a adrenalina jogada para a circulação no momento em que atingimos o topo ainda estava na veia. Foi baixando aos poucos. Um a um. Por ultimo, é claro, na veia do Gustavinho que só sossegou depois que meteu o pé na lama. A descida teve direito a morangos silvestres, limões rosa e ameixas maduras.

Garanto que se tivessem trazido a comida não teriam nem notado a existência dessas frutas. Eu pensava que demorariamos a superar nossa aventura nas cachoeiras e pontes de Delfim Moreira.

Como foi bom eu ter me enganado.

Esta publicação foi escrita por tarjcooper e publicada em 10 de setembro de 2010 às 5:56 PM. Está arquivada em Acampamentos. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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